Relações homossexuais

Todas as coisas que a Bíblia proíbe

2020.11.10 19:19 Q-35712 Todas as coisas que a Bíblia proíbe

"Eu não sou um homem mau. Eu não bebo, não danço ou juro. Fiz tudo o que a Bíblia diz, mesmo as coisas que contradizem as outras! Eu até mantive o kosher, só para ficar do lado seguro."
Ned Flanders, "Hurricane Neddy", The Simpsons
Existem muitas ações proibidas pela Bíblia. quantos você fez? Você pode contar todos eles?
De acordo com algumas pessoas, as quais já vi na vida real e nesse sub, pessoas homossexuais ou bisexuais estão erradas, vivendo sua vida de maneira degenerada. De acordo com essas mesmas pessoas, a Bíblia serve como razão para essa ideia.
Exatamente por que Deus tem um interesse tão profundo e duradouro nas predileções sexuais ou conjugais de suas criações não está claro. Obviamente, Deus criou o mundo e o ser humano com instruções muito específicas em mente, e essas instruções incluíam não esfregar nossas partes íntimas nos corpos de pessoas com partes íntimas similares.
No intanto, de acordo com a Bíblia, existe um monte de outras coisas que são tão graves como esse ato de esfregar nossas partes. Já viu elas? Veja hoje.
Interessante, não?
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2020.08.18 22:48 gdtn3 Porque todos esses homossexuais continuam chupando meu galo?

Olha, eu não sou uma pessoa odiosa nem nada - acredito que todos devemos viver e deixar viver. Mas, ultimamente, tenho tido um problema real com esses homossexuais. Você vê, quase onde quer que eu vá atualmente, um deles se aproxima de mim e começa a chupar meu galo. Pegue o último domingo, por exemplo, quando casualmente puxei conversa com esse cara no vestiário do clube de saúde. Nada frutado, apenas alguns caras falando sobre suas rotinas de treino enquanto tomam um bom banho quente. O cara também parecia um homem de verdade - bíceps grandes, coxas carnudas, pescoço grosso. Ele não parecia nem um pouco gay. Pelo menos não até ele começar a chupar meu galo, claro.
De onde esse bicho tem coragem de chupar meu galo? Eu parecia gay para ele? Eu estava usando um boá de penas rosa sem perceber? Não me lembro da frase "Chupe meu galo" entrando na conversa, e não tenho uma placa no pescoço que diga: "Por favor, seus homossexuais, chupem meu galo". Não tenho nada contra os homossexuais. Deixe que eles sejam livres para fazer suas coisas alegres em paz, eu digo. Mas quando eles começam a chupar meu galo, eu tenho um problema real.
Então houve uma vez em que eu estava caminhando pela floresta e me deparei com um homem loiro de aparência robusta em seus trinta e poucos anos. Ele parecia bastante direto para mim enquanto estávamos nos banhando naquele riacho da montanha, mas, antes que você perceba, ele está chupando meu galo! O que há com esses homos? Eles não podem controlar seus impulsos sexuais? Não há galos gays suficientes lá para eles chuparem sem que eles tenham que atacar pessoas normais como eu?
Acredite em mim, não tenho interesse em ter meu galo sugado por alguma bicha. Mas tente dizer isso para o cara no clube de praia. Ou aquele da locadora. Ou aquele que cuidou do meu casamento. Ou qualquer um dos incontáveis ​​outros homossexuais que me procuraram recentemente. Todos eles sugaram meu galo, e não havia nada que eu pudesse fazer para detê-los. Eu te digo, quando um homossexual está chupando seu galo, muitos pensamentos estranhos passam pela sua cabeça: Como diabos isso aconteceu? De onde essa fada tirou a ideia de que eu era gay? E onde ele conseguiu essas botas fantásticas?
Em outras ocasiões, também estraga sua cabeça. Cada vez que um homem passa por mim na rua, tenho medo que ele vá me agarrar e me arrastar para algum banheiro para chupar meu galo. Eu até comecei a visualizar esses episódios repulsivos de chupar galo durante as relações conjugais saudáveis ​​e heterossexuais que eu tenho com minha esposa - mesmo algumas que não aconteceram de verdade, como o encontro suado no vestiário após o jogo com Vancouver Canucks. Mark Messier, em quem não consigo parar de pensar. As coisas poderiam ser piores, suponho. Podem ser mulheres tentando chupar meu galo, o que seria adultério e me faria sentir tremendamente culpado. Do jeito que está, estou apenas com raiva e enjoado. Mas, acredite em mim, isso é o suficiente. Não sei o que faz esses homossexuais me confundirem com um cara que quer seu galosucked e, francamente, não quero saber. Eu só queria que houvesse alguma maneira de fazê-los parar.
Já tentei todo tipo de coisa, mas não adiantou. Alguns meses atrás, comecei a usar uma tanga de couro preta de aparência intimidante com tachas de metal ameaçadoras na esperança de assustar aqueles viados, mas não funcionou. Na verdade, parecia apenas encorajá-los. Então, eu realmente comecei a ficar áspero, batendo neles sempre que eles estavam chupando meu galo, mas isso falhou também. Até mesmo puxar para fora de suas bocas pouco antes da ejaculação e lançar esperma por todo o rosto, peito e cabelo parecia não ter efeito. O que devo fazer para transmitir a mensagem a esses swish? Eu juro, se esses homossexuais não entenderem e pararem de chupar meu pau o tempo todo, terei que recorrer a medidas drásticas - como talvez prendê-los no chão de cimento da doca de carga com meus poderosos antebraços e trabalhando meu galo todo o caminho até sua bunda para que eles entendam alto e bom som o quanto eu desaprovo seus avanços indesejáveis. Quero dizer, você não pode ser muito mais direto do que isso.
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2020.05.04 19:49 RunCthulhuRun O JAIR QUE HÁ EM NÓS - Prof. Dr. Ivann Lago da Universidade Federal Fronteira Sul (RS)

O Brasil levará décadas para compreender o que aconteceu naquele nebuloso ano de 2018, quando seus eleitores escolheram, para presidir o país, Jair Bolsonaro. Capitão do Exército expulso da corporação por organização de ato terrorista; deputado de sete mandatos conhecido não pelos dois projetos de lei que conseguiu aprovar em 28 anos, mas pelas maquinações do submundo que incluem denúncias de “rachadinha”, contratação de parentes e envolvimento com milícias; ganhador do troféu de campeão nacional da escatologia, da falta de educação e das ofensas de todos os matizes de preconceito que se pode listar.
Embora seu discurso seja de negação da “velha política”, Bolsonaro, na verdade, representa não sua negação, mas o que há de pior nela. Ele é a materialização do lado mais nefasto, mais autoritário e mais inescrupuloso do sistema político brasileiro. Mas – e esse é o ponto que quero discutir hoje – ele está longe de ser algo surgido do nada ou brotado do chão pisoteado pela negação da política, alimentada nos anos que antecederam as eleições.
Pelo contrário, como pesquisador das relações entre cultura e comportamento político, estou cada vez mais convencido de que Bolsonaro é uma expressão bastante fiel do brasileiro médio, um retrato do modo de pensar o mundo, a sociedade e a política que caracteriza o típico cidadão do nosso país.
Quando me refiro ao “brasileiro médio”, obviamente não estou tratando da imagem romantizada pela mídia e pelo imaginário popular, do brasileiro receptivo, criativo, solidário, divertido e “malandro”. Refiro-me à sua versão mais obscura e, infelizmente, mais realista segundo o que minhas pesquisas e minha experiência têm demonstrado.
No “mundo real” o brasileiro é preconceituoso, violento, analfabeto (nas letras, na política, na ciência... em quase tudo). É racista, machista, autoritário, interesseiro, moralista, cínico, fofoqueiro, desonesto.
Os avanços civilizatórios que o mundo viveu, especialmente a partir da segunda metade do século XX, inevitavelmente chegaram ao país. Se materializaram em legislações, em políticas públicas (de inclusão, de combate ao racismo e ao machismo, de criminalização do preconceito), em diretrizes educacionais para escolas e universidades. Mas, quando se trata de valores arraigados, é preciso muito mais para mudar padrões culturais de comportamento.
O machismo foi tornado crime, o que lhe reduz as manifestações públicas e abertas. Mas ele sobrevive no imaginário da população, no cotidiano da vida privada, nas relações afetivas e nos ambientes de trabalho, nas redes sociais, nos grupos de whatsapp, nas piadas diárias, nos comentários entre os amigos “de confiança”, nos pequenos grupos onde há certa garantia de que ninguém irá denunciá-lo.
O mesmo ocorre com o racismo, com o preconceito em relação aos pobres, aos nordestinos, aos homossexuais. Proibido de se manifestar, ele sobrevive internalizado, reprimido não por convicção decorrente de mudança cultural, mas por medo do flagrante que pode levar a punição. É por isso que o politicamente correto, por aqui, nunca foi expressão de conscientização, mas algo mal visto por “tolher a naturalidade do cotidiano”.
Se houve avanços – e eles são, sim, reais – nas relações de gênero, na inclusão de negros e homossexuais, foi menos por superação cultural do preconceito do que pela pressão exercida pelos instrumentos jurídicos e policiais.
Mas, como sempre ocorre quando um sentimento humano é reprimido, ele é armazenado de algum modo. Ele se acumula, infla e, um dia, encontrará um modo de extravasar. Como aquele desejo do menino piromaníaco que era obcecado pelo fogo e pela ideia de queimar tudo a sua volta, reprimido pelo controle dos pais e da sociedade. Reprimido por anos, um dia ele se manifesta num projeto profissional que faz do homem adulto um bombeiro, permitindo-lhe estar perto do fogo de uma forma socialmente aceitável.
Foi algo parecido que aconteceu com o “brasileiro médio”, com todos os seus preconceitos reprimidos e, a duras penas, escondidos, que viu em um candidato a Presidência da República essa possibilidade de extravasamento. Eis que ele tinha a possibilidade de escolher, como seu representante e líder máximo do país, alguém que podia ser e dizer tudo o que ele também pensa, mas que não pode expressar por ser um “cidadão comum”.
Agora esse “cidadão comum” tem voz. Ele de fato se sente representado pelo Presidente que ofende as mulheres, os homossexuais, os índios, os nordestinos. Ele tem a sensação de estar pessoalmente no poder quando vê o líder máximo da nação usar palavreado vulgar, frases mal formuladas, palavrões e ofensas para atacar quem pensa diferente. Ele se sente importante quando seu “mito” enaltece a ignorância, a falta de conhecimento, o senso comum e a violência verbal para difamar os cientistas, os professores, os artistas, os intelectuais, pois eles representam uma forma de ver o mundo que sua própria ignorância não permite compreender.
Esse cidadão se vê empoderado quando as lideranças políticas que ele elegeu negam os problemas ambientais, pois eles são anunciados por cientistas que ele próprio vê como inúteis e contrários às suas crenças religiosas. Sente um prazer profundo quando seu governante maior faz acusações moralistas contra desafetos, e quando prega a morte de “bandidos” e a destruição de todos os opositores.
Ao assistir o show de horrores diário produzido pelo “mito”, esse cidadão não é tocado pela aversão, pela vergonha alheia ou pela rejeição do que vê. Ao contrário, ele sente aflorar em si mesmo o Jair que vive dentro de cada um, que fala exatamente aquilo que ele próprio gostaria de dizer, que extravasa sua versão reprimida e escondida no submundo do seu eu mais profundo e mais verdadeiro.
O “brasileiro médio” não entende patavinas do sistema democrático e de como ele funciona, da independência e autonomia entre os poderes, da necessidade de isonomia do judiciário, da importância dos partidos políticos e do debate de ideias e projetos que é responsabilidade do Congresso Nacional. É essa ignorância política que lhe faz ter orgasmos quando o Presidente incentiva ataques ao Parlamento e ao STF, instâncias vistas pelo “cidadão comum” como lentas, burocráticas, corrompidas e desnecessárias. Destruí-las, portanto, em sua visão, não é ameaçar todo o sistema democrático, mas condição necessária para fazê-lo funcionar.
Esse brasileiro não vai pra rua para defender um governante lunático e medíocre; ele vai gritar para que sua própria mediocridade seja reconhecida e valorizada, e para sentir-se acolhido por outros lunáticos e medíocres que formam um exército de fantoches cuja força dá sustentação ao governo que o representa.
O “brasileiro médio” gosta de hierarquia, ama a autoridade e a família patriarcal, condena a homossexualidade, vê mulheres, negros e índios como inferiores e menos capazes, tem nojo de pobre, embora seja incapaz de perceber que é tão pobre quanto os que condena. Vê a pobreza e o desemprego dos outros como falta de fibra moral, mas percebe a própria miséria e falta de dinheiro como culpa dos outros e falta de oportunidade. Exige do governo benefícios de toda ordem que a lei lhe assegura, mas acha absurdo quando outros, principalmente mais pobres, têm o mesmo benefício.
Poucas vezes na nossa história o povo brasileiro esteve tão bem representado por seus governantes. Por isso não basta perguntar como é possível que um Presidente da República consiga ser tão indigno do cargo e ainda assim manter o apoio incondicional de um terço da população. A questão a ser respondida é como milhões de brasileiros mantêm vivos padrões tão altos de mediocridade, intolerância, preconceito e falta de senso crítico ao ponto de sentirem-se representados por tal governo.
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2020.05.04 19:01 uniVocity O JAIR QUE HÁ EM NÓS - Prof. Dr. Ivann Lago da Universidade Federal Fronteira Sul (RS)

O Brasil levará décadas para compreender o que aconteceu naquele nebuloso ano de 2018, quando seus eleitores escolheram, para presidir o país, Jair Bolsonaro. Capitão do Exército expulso da corporação por organização de ato terrorista; deputado de sete mandatos conhecido não pelos dois projetos de lei que conseguiu aprovar em 28 anos, mas pelas maquinações do submundo que incluem denúncias de “rachadinha”, contratação de parentes e envolvimento com milícias; ganhador do troféu de campeão nacional da escatologia, da falta de educação e das ofensas de todos os matizes de preconceito que se pode listar.
Embora seu discurso seja de negação da “velha política”, Bolsonaro, na verdade, representa não sua negação, mas o que há de pior nela. Ele é a materialização do lado mais nefasto, mais autoritário e mais inescrupuloso do sistema político brasileiro. Mas – e esse é o ponto que quero discutir hoje – ele está longe de ser algo surgido do nada ou brotado do chão pisoteado pela negação da política, alimentada nos anos que antecederam as eleições.
Pelo contrário, como pesquisador das relações entre cultura e comportamento político, estou cada vez mais convencido de que Bolsonaro é uma expressão bastante fiel do brasileiro médio, um retrato do modo de pensar o mundo, a sociedade e a política que caracteriza o típico cidadão do nosso país.
Quando me refiro ao “brasileiro médio”, obviamente não estou tratando da imagem romantizada pela mídia e pelo imaginário popular, do brasileiro receptivo, criativo, solidário, divertido e “malandro”. Refiro-me à sua versão mais obscura e, infelizmente, mais realista segundo o que minhas pesquisas e minha experiência têm demonstrado.
No “mundo real” o brasileiro é preconceituoso, violento, analfabeto (nas letras, na política, na ciência... em quase tudo). É racista, machista, autoritário, interesseiro, moralista, cínico, fofoqueiro, desonesto.
Os avanços civilizatórios que o mundo viveu, especialmente a partir da segunda metade do século XX, inevitavelmente chegaram ao país. Se materializaram em legislações, em políticas públicas (de inclusão, de combate ao racismo e ao machismo, de criminalização do preconceito), em diretrizes educacionais para escolas e universidades. Mas, quando se trata de valores arraigados, é preciso muito mais para mudar padrões culturais de comportamento.
O machismo foi tornado crime, o que lhe reduz as manifestações públicas e abertas. Mas ele sobrevive no imaginário da população, no cotidiano da vida privada, nas relações afetivas e nos ambientes de trabalho, nas redes sociais, nos grupos de whatsapp, nas piadas diárias, nos comentários entre os amigos “de confiança”, nos pequenos grupos onde há certa garantia de que ninguém irá denunciá-lo.
O mesmo ocorre com o racismo, com o preconceito em relação aos pobres, aos nordestinos, aos homossexuais. Proibido de se manifestar, ele sobrevive internalizado, reprimido não por convicção decorrente de mudança cultural, mas por medo do flagrante que pode levar a punição. É por isso que o politicamente correto, por aqui, nunca foi expressão de conscientização, mas algo mal visto por “tolher a naturalidade do cotidiano”.
Se houve avanços – e eles são, sim, reais – nas relações de gênero, na inclusão de negros e homossexuais, foi menos por superação cultural do preconceito do que pela pressão exercida pelos instrumentos jurídicos e policiais.
Mas, como sempre ocorre quando um sentimento humano é reprimido, ele é armazenado de algum modo. Ele se acumula, infla e, um dia, encontrará um modo de extravasar. Como aquele desejo do menino piromaníaco que era obcecado pelo fogo e pela ideia de queimar tudo a sua volta, reprimido pelo controle dos pais e da sociedade. Reprimido por anos, um dia ele se manifesta num projeto profissional que faz do homem adulto um bombeiro, permitindo-lhe estar perto do fogo de uma forma socialmente aceitável.
Foi algo parecido que aconteceu com o “brasileiro médio”, com todos os seus preconceitos reprimidos e, a duras penas, escondidos, que viu em um candidato a Presidência da República essa possibilidade de extravasamento. Eis que ele tinha a possibilidade de escolher, como seu representante e líder máximo do país, alguém que podia ser e dizer tudo o que ele também pensa, mas que não pode expressar por ser um “cidadão comum”.
Agora esse “cidadão comum” tem voz. Ele de fato se sente representado pelo Presidente que ofende as mulheres, os homossexuais, os índios, os nordestinos. Ele tem a sensação de estar pessoalmente no poder quando vê o líder máximo da nação usar palavreado vulgar, frases mal formuladas, palavrões e ofensas para atacar quem pensa diferente. Ele se sente importante quando seu “mito” enaltece a ignorância, a falta de conhecimento, o senso comum e a violência verbal para difamar os cientistas, os professores, os artistas, os intelectuais, pois eles representam uma forma de ver o mundo que sua própria ignorância não permite compreender.
Esse cidadão se vê empoderado quando as lideranças políticas que ele elegeu negam os problemas ambientais, pois eles são anunciados por cientistas que ele próprio vê como inúteis e contrários às suas crenças religiosas. Sente um prazer profundo quando seu governante maior faz acusações moralistas contra desafetos, e quando prega a morte de “bandidos” e a destruição de todos os opositores.
Ao assistir o show de horrores diário produzido pelo “mito”, esse cidadão não é tocado pela aversão, pela vergonha alheia ou pela rejeição do que vê. Ao contrário, ele sente aflorar em si mesmo o Jair que vive dentro de cada um, que fala exatamente aquilo que ele próprio gostaria de dizer, que extravasa sua versão reprimida e escondida no submundo do seu eu mais profundo e mais verdadeiro.
O “brasileiro médio” não entende patavinas do sistema democrático e de como ele funciona, da independência e autonomia entre os poderes, da necessidade de isonomia do judiciário, da importância dos partidos políticos e do debate de ideias e projetos que é responsabilidade do Congresso Nacional. É essa ignorância política que lhe faz ter orgasmos quando o Presidente incentiva ataques ao Parlamento e ao STF, instâncias vistas pelo “cidadão comum” como lentas, burocráticas, corrompidas e desnecessárias. Destruí-las, portanto, em sua visão, não é ameaçar todo o sistema democrático, mas condição necessária para fazê-lo funcionar.
Esse brasileiro não vai pra rua para defender um governante lunático e medíocre; ele vai gritar para que sua própria mediocridade seja reconhecida e valorizada, e para sentir-se acolhido por outros lunáticos e medíocres que formam um exército de fantoches cuja força dá sustentação ao governo que o representa.
O “brasileiro médio” gosta de hierarquia, ama a autoridade e a família patriarcal, condena a homossexualidade, vê mulheres, negros e índios como inferiores e menos capazes, tem nojo de pobre, embora seja incapaz de perceber que é tão pobre quanto os que condena. Vê a pobreza e o desemprego dos outros como falta de fibra moral, mas percebe a própria miséria e falta de dinheiro como culpa dos outros e falta de oportunidade. Exige do governo benefícios de toda ordem que a lei lhe assegura, mas acha absurdo quando outros, principalmente mais pobres, têm o mesmo benefício.
Poucas vezes na nossa história o povo brasileiro esteve tão bem representado por seus governantes. Por isso não basta perguntar como é possível que um Presidente da República consiga ser tão indigno do cargo e ainda assim manter o apoio incondicional de um terço da população. A questão a ser respondida é como milhões de brasileiros mantêm vivos padrões tão altos de mediocridade, intolerância, preconceito e falta de senso crítico ao ponto de sentirem-se representados por tal governo.
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2020.02.27 18:40 AntonioMachado [2020] Jodi Dean - O modo de dominação nazi-fascista segundo Zizek

Artigo: https://eleuterioprado.files.wordpress.com/2020/02/o-modo-da-dominac3a7c3a3o-nazista-segundo-zizec-1.pdf
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1- à luz dos quatro discursos descritos por Lacan: discurso de mestre, discurso da universidade, discurso da histérica e discurso da psicanálise ou da teoria crítica em geral, aos quais correspondem respectivamente as atividades de governo, educação, desejo e análise
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2019.12.24 10:36 ebaroni83 Relações homossexuais no reino animal sob nova perspetiva: o comportamento (hetero) considerado "padrão", na verdade, não é padrão na natureza

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2019.11.14 08:52 altovaliriano Sentimentos entre Sor Donnel e Sor Roland

Poderia ser um mero ship, mas o usuário Devilc's Den 2.0 do insanejournal cunhou em 2007 uma teoria sobre existir um relacionamento extra entre Sor Donnel de Valdocaso e Sor Roland Crackehall.
Em O Cavaleiro Andante, quando o julgamento dos Sete é anunciado, Daeron informa a Dunk que os guardas reais iriam participar da luta, pois "juraram proteger a vida do rei e da família real" e Baelor se aproveitou desses votos que também "os proíbem de ferir um príncipe do sangue".
Entretanto, durante o combate, há um momento em que os príncipes do sangue enfrentam seus oponentes sem auxílio da guarda real. Dunk estava literalmente montado em Príncipe Aerion, dando golpe de escudo contra o elmo do príncipe, que sussurou que se rendia. Ali perto, Príncipe Maekar enfrentava sozinho Príncipe Baelor e Lyonel Baratheon.
Nestas circunstâncias era esperado que algum guarda real com forças escolhesse enfrentar Lyonel Baratheon ou Dunk para fazer cumprir seu juramento. Entretanto, surpreendente, as prioridades do único guarda real em pé:
Dunk se levantou e colocou o Príncipe Aerion em pé. Tateando os cordões de seu elmo, arrancou-o e jogou-o longe. Imediatamente foi submergido em cenas e sons; grunhidos e xingamentos, os gritos da multidão, um garanhão berrando enquanto outro corria sem cavaleiro pelos campos. Por todos os lados, aço ressoava em aço. Raymun e o primo golpeavam um ao outro em frente à arquibancada, ambos em pé. Seus escudos estavam em frangalhos, a maçã verde e a vermelha transformadas em mechas. Um dos cavaleiros da Guarda Real carregava o irmão ferido para fora do campo. Ambos pareciam iguais em suas armaduras e mantos brancos. O terceiro dos cavaleiros brancos estava caído, e Tempestade Risonha se juntara ao Príncipe Baelor contra o Príncipe Maekar. Maça, machado de batalha e espada longa retiniam e ressoavam em elmos e escudos. Maekar recebia três golpes para cada um que dava, e Dunk percebeu que logo estaria acabado. Preciso dar um fim nisso antes que mais algum de nós acabe morto.
(O Cavaleiro Andante)
Assim, vê-se que um guarda real que estava em pé carregava um guarda ferido, enquanto o terceiro jazia inconsciente. E mais tarde ficamos sabendo que "Sor Willem Wylde da Guarda Real foi levado do campo inconsciente". Portanto, os outros dois guardas eram Donnel e Roland.
Devil's Den afirma com base na história em quadrinhos de O Cavaleiro Andante que o guarda ferido seria Donnel e o guarda em pé seria Roland, mas eu não consigo entender como ele chegou a essa conclusão, pois tanto nos livros quanto na HQ não há qualquer indicação de quem seria quem.
De todo modo, o importante é que o guarda real que está carregando o irmão de armas ferido o priorizou acima dos príncipes reais, o que fez Devil's Den questionar a natureza da relação entre Donnel e Roland. Ok, na verdade ele já diz desde logo que acha que os guardas reais são amantes, mas você pode perguntar: Que evidências reais temos disso?.
Bem, nenhuma, mas a julgar pela famoso contraste entre como Martin retrata relações homossexuais masculinas e femininas (discretamente, nas primeiras, mais explicitamente, nas últimas), é bem capaz que demore para que se manifestem os indícios de qualquer relação entre os guardas (se é que realmente há alguma).
Por enquanto, parece apenas uma leitura inusitada de um fato que passa despercebido à maioria dos leitores (e que serve de mote para Devil's Den escrever fanfics pornográficas -- é serio, ele escreve-as).
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2019.09.22 23:04 Glenarvon O Liberalismo e O Estado

O Liberalismo e O Estado

"De que forma a propriedade e o capital foram cair nas mãos de seus atuais detentores? Essa é uma questão que, quando analisada a partir do ponto de vista da história, da lógica e da justiça, não pode ser respondida de qualquer outra forma senão como uma acusação contra os atuais proprietários." -- Bakunin, O Sistema Capitalista

Apesar de todo o discurso pretensamente "anti-estado" do liberalismo, e, por extensão, de ancaps, as posições liberais são de caráter fundamentalmente estatista,e bem mais estatistas do que as dos social-democratas contra os quais os próprios liberais gostam de usar esse termo.
Primeiro, o liberalismo define suas próprias categorias de "capitalismo" e "mercados" de forma ahistórica, como certos absolutos muitas vezes vagos e indefinidos. (por isso, enquanto outras correntes definiriam o capitalismo de acordo com suas características históricas e econômicas em mais detalhes, ancaps definem ele simplesmente como "trocas voluntárias", algo tão vago que permite a eles representarem desde escambo até jogo de bafo com figurinhas como "capitalismo", mas, essa definição, além de inútil, por incluir até o feudalismo como capitalismo, faz com que eles possam usar o conceito vago de trocas voluntárias para defender um sistema bem específico baseado no cercamento dos Comuns pelo Estado, na propriedade privada e no trabalho assalariado, e, por extensão, poderem representar os opositores da ideologia deles como opositores da capacidade de trocar coisas voluntariamente).
Essa definição vaga e ahistórica permite que seja ignorada a natureza fundamentalmente determinada pelo Estado dos mercados capitalistas. A propriedade da terra, concentrada nas mãos de grandes proprietários hoje, não se tornou assim simplesmente pela natureza humana ou pelas trocar comerciais, mas pelo papel ativo do Estado nos cercamentos, na Europa, e no colonialismo no sul global, que resultou por concentrar a propriedade da terra nas mãos de uma oligarquia fundiária, que hoje por vez usa o Estado pra manter sua propriedade, e usa a ideologia do proprietarianismo liberal para evitar que ela seja questionada. De forma similar, (como Kevin Carson bem aponta nesse texto: https://c4ss.org/content/52367 ), a economia corporativa global, tão benquista pela maioria dos liberais, não é um resultado simplesmente das tendências econômicas inatas do capitalismo e da propriedade privada, mas algo criado e mantido por pesada intervenção estatal, seja na forma de subsídios ou infraestrutura financiada ou mantida pelo Estado, sem a qual essa economia, muito eficaz em gerar grandes remessas de lucro para corporações, seria pouco viável, assim como os bilionários muitas vezes endeusados por liberais e "libertários" de direita não conseguiriam manter seu ritmo de enriquecimento sem a intervenção do Estado para garantir seus lucros. (sobre isso, temos esses textos: https://c4ss.org/content/52310 e https://voyager1.net/tecnologia/spacex-a-mao-bem-visivel-do-estado/ )
O capitalismo não é, então, um sistema de desigualdades de poder e desigualdade econômica iniciado e mantido pelo Estado? Os mercados capitalistas não são determinados pelo Estado apenas quando este realiza regulações neles, mas sua própria estrutura é fundamentalmente distorcida pela ação do Estado, e a política liberal, que pouco questiona as intervenções estatais a favor dos ricos e de corporações, usa de categorias rasas de análise para ignorar essa questão. Os social-democratas, acusados de "estatismo" por esses mesmos liberais, ao proporem a redistribuição da terra e a taxação sobre os ricos para ações de mitigação da desigualdade, não estão agindo mais em prol da redução dessas distorções estruturais advindas da ação do Estado? Qual política age mais para a redução do "estatismo"?
Ao olhar atomisticamente para simplesmente um estatismo "formal", a ação do Estado como algo isolado em relação à sociedade em geral, o liberalismo falha em fazer qualquer crítica real à ação do Estado, e revela que seu discurso anti-estatista é somente isso, um discurso, útil pra representar seus opositores como "inimigos da liberdade" ou defensores de algum Estado total. A análise da ação do Estado sem a análise do contexto social onde ocorrem, e, principalmente, sem a análise dos interesses de classe que moldaram o Estado como tal, se limita a um entendimento raso da real natureza desse Estado. Quando Marx se refere ao Estado como o "comitê executivo da burguesia", se refere justamente a esses interesses de classe latentes ao Estado que moldam sua ação e sua forma na sociedade. (Relevante para essa discussão são os termos "estatismo formal" vs "estatismo substancial" propostos por Kevin Carson nesse artigo https://www.researchgate.net/publication/333951344_Formal_vs_Substantive_Statism_A_Matter_of_Context ).

Ancaps: Sendo contra o Estado em nome, mas não em forma

Nas discussões onde se desfaz o mito de que o "anarco"-capitalismo poderia ser uma vertente do anarquismo, foca-se muito na tradição histórica do anarquismo como anti-capitalista, e na posição central do anti-capitalismo entre autores e o movimento anarquista em geral, mas algo que geralmente não é colocado na centralidade total dessa discussão são as razões que levam anarquistas e ancaps a serem contra o Estado, que partem de princípios radicalmente diferentes.
O anarquismo, no geral, rejeita o Estado por sua crítica centrada na rejeição da hierarquia. O anarquismo, por isso, se centra não só na rejeição da autoridade estatal e econômica, mas também na defesa da horizontalidade e autogestão, formas de organização não-hierárquicas. Os ancaps, por sua vez, centram sua crítica ao Estado em sua concepção de "individualismo" ou "liberdade individual", uma concepção de liberdade individual atomista, herdada do liberalismo, e centrada na propriedade privada. Por o Estado ser, em sua visão, algo que infringe no direito absoluto de propriedade, é algo injustificável, e daí o surgimento do refrão "imposto é roubo". Para o anarquismo, propriedade é roubo, pois a propriedade privada (a real propriedade privada, dos meios de produção,e não qualquer "propriedade" no sentido abstrato) implica na apropriação do trabalho de outros pelos detentores da propriedade, em uma relação hierárquica onde esse mesmo proprietário exerce poder sobre aqueles que necessitam dos meios de produção para trabalharem e sobreviverem, mas, por não disporem desses meios, precisam submeter-se ao poder dos proprietários. Para os ancaps, com sua visão atomista da liberdade individual, o trabalho assalariado seria uma escolha livre, um mero "contrato" entre empregador e empregado. Para os anarquistas, que vão além de simplesmente a visão superficial do acordo e analisam a estrutura da sociedade onde ele ocorre, o trabalho assalariado nunca pode ser uma escolha livre, pois ele é, na prática, a submissão de uma classe de indivíduos, os trabalhadores, não proprietários dos meios de produção, aos proprietários capitalistas, que só pode instituir-se na sociedade se a propriedade dos meios de produção tiver sido concentrada e negada ao resto da população, o que, como vimos na primeira seção desse texto, foi algo realizado através de séculos de intervenção estatal através de cercamentos e roubos de terras. O trabalho assalariado, e a propriedade privada, portanto, por instituírem formas de hierarquia, são injustificáveis para o anarquismo, que propõe sua substituição por relações horizontais, enquanto ancaps a aceitam acriticamente por terem sua visão derivada do liberalismo.
A liberdade individual, termo tão caro ao "anarco"-capitalismo, também é algo central na visão anarquista, seja para anarquistas individualistas como Benjamin Tucker, mas igualmente parar anarquistas coletivistas como Bakunin ou anarco-comunistas como Kropotkin. A diferença da concepção anarquista de liberdade para aquela dos ancaps (e liberais no geral) é a de que, no anarquismo, o indivíduo não é visto de forma atomista, isolada de um contexto, mas dentro de um contexto social onde interagem as diversas liberdades de vários indivíduos. Para o anarquismo, um indivíduo é livre não somente quando sobre ele não se exerce nenhuma forma coercitiva, mas também quando está em relação com outros indivíduos igualmente livres, quando está em um contexto que o permite que possa livremente realizar seu potencial, vide a frase de Bakunin: "a liberdade do outro estende a minha ao infinito". Para o anarquismo, a liberdade ancap de direitos abolutos de propriedade privada pouco faz sentido, pois pouco faz sentido falar de "liberdades individuais" para todos os indivíduos, enquanto defende um sistema em que, como visto anteriormente, a concentração de propriedade leva certos indivíduos a exercerem poder sobre outros e se apropriarem de seu trabalho, resultando em um arranjo social onde a real liberdade individual é nada à maior parte da população. Não faz sentido se falar em liberdade individual enquanto se defende um sistema que não dá a todos os indivíduos controle sobre seu trabalho e sua vida individual e social e o submete à autoridade coercitiva de outros, seja no trabalho (capitalismo), na política (Estado), ou nas relações sociais (patriarcado, racismo, homofobia, transfobia etc.). "Liberdade individual" é um termo extremamente banalizado na política, e que significa coisas diferentes dependendo de quem a usa. É usado por grupos desde conservadores até ancaps, muitas vezes com o mesmo usuário o utilizando de forma incoerente. A liberdade anarquista, por sua vez, talvez seja melhor entendida através do conceito de autonomia: autonomia individual, para se ter controle sobre sua própria vida, em todas as esferas sociais, e autonomia coletiva, onde associações e comunidades, através da autogestão, podem tomar suas próprias decisões de forma direta, sem um poder central coercitivo, e, em escala maior, no federalismo libertário, onde diversas associações se juntam para tomar decisões que funcionam no inverso da lógica estatal: de baixo para cima. Para o anarquismo, igualdade e liberdade são interdependentes, pois no momento em que se estabelecesse uma relação hierárquica, dividida entre subjugadores e subjugados, se tem a perda da liberdade individual pelo primeiro grupo. O que cabe, então, é agir de forma a tornar todas as relações sociais o mais horizontais possíveis, eliminando a hierarquia coercitiva ao máximo possível, única condição para existência da liberdade.
A centralidade da oposição à hierarquia, no anarquismo, implica também na rejeição não só da hierarquia política e econômica nas formas do Estado e do Capitalismo, mas também das hierarquias sociais em outras esferas, como a hierarquia de gênero (patriarcado e transfobia), hierarquia de sexualidade (homofobia) e de raça (racismo e supremacia branca). Embora nem todos os anarquistas tenham sido totalmente coerentes nesses princípios sempre (vide a famosa crítica de Joseph Déjacque ao machismo de Proudhon, onde dava como ultimato que este deveria ou abandonar suas visões patriarcais, ou parar de dizer-se anarquista), são reconhecidos como aspectos centrais da crítica anarquista à hierarquia, e sem os quais o anarquismo seria um esforço hipócrita e falso. Mas, no caso dos ancaps, por sua crítica ao Estado se centrar na propriedade, sem nenhum comprometimento com a crítica real da hierarquia, vemos, frequentemente, o oposto desse princípio entre ancaps e "libertários" de direita, não somente de forma "impensada", mas de forma comprometedora de seus projetos políticos no geral. Vemos isso não só em "libertários" anti-feministas, ou entre aqueles que se convertem a posições ultranacionalistas, mas entre autores como Hans Hermann-Hoppe, com suas passagens em "Democracia: O Deus que Falhou", onde defende a possibilidade de expulsão de homossexuais e dissidentes políticos de suas comunidades privadas idealizadas. Outro caso similar seria o "paleolibertarianismo" de Rothbard, que buscava unir valores conservadores com visões economicamente "libertárias".
Por fim, temos a questão de que, o anarquismo, como vê o Estado e sua hierarquia como indesejável,e, portanto, também seu sistema judiciário, prisional, legislativo, policial, militar, político e administrativo, e procura substituí-lo por instituições autogestionárias que, como visto antes, seguem uma lógica não-hierárquica, diretamente oposta à lógica do Estado. O "anarco"-capitalismo, por sua vez, não se opõe a essas instituições hierárquicas em si, mas a seu pretenso monopólio nas mãos do Estado. Então, em sua visão de uma sociedade capitalista sem Estado, vê como aceitáveis instituições como legislações privadas, justiça privada, forças policiais e militares privadas. Todas instituições características da forma estatal. Em resumo, uma governança privada. O "anarco"-capitalismo então, não quer acabar com o Estado: quer apenas privatizá-lo.
edit: escrita, formatação
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2019.09.13 21:32 oppadoesntlikeyou [Discussão] Porque a Homossexualidade de hoje não é a mesma a qual a Bíblia se refere.

Warning: Long Post Ahead.
TLDR no final para os naoli & nemlerey.
Todo mundo conhece esta passagem da Bíblia: "Não te deitarás com um homem, como se fosse mulher: isso é abominação."
Este versículo é hoje utilizado por vários religiosos para descriminar homossexuais e tratar esse comportamento como algo abominável, anormal e alguns até alegam que deve ser combatido.
Hoje eu estou aprendendo coreano, (sempre curti a cultura asiática por algum motivo desconhecido, já que não tenho raízes nenhuma com esse povo e sua etnia. (Sou do Nordeste, a nível de curiosidade, mais especificamente Ceará).
Estava lendo coisas sobre História, que é um tema que muito me agrada, e acabei lendo um pouco sobre História da Coréia (Joseon) e acabei encontrando algumas coisas bem curiosas.
Umas dessas coisas que me chamou atenção foi o fato de na era Joseon (período entre 1300 ~ 1910) havia registros de homens prostitutos (?) /maleprostitutes em inglês. Homens que faziam serviços para outros homens em casas específicas.
Considerando que homens prostitutos era algo presente em outras culturas também, sobretudo na zona do oriente médio onde se teve grandes civilizações, não é difícil imaginar que na época que a bíblia foi escrita (a mais de 5 mil anos) também houvesse casos de homens se deitando com outros homens.
"Tá, mas se homem se deita com outro homem sendo prostituto ou não é viado do mesmo jeito!"
Vamos entender a razão do porque um homem daquela época se deitaria com outro homem.
O casamento era um 'negócio', feito a partir de um contrato que unia moças e rapazes numa aliança comunal. Esse negócio era pago pela família da noiva, como ovelhas, terras e bens, como dotes para que o casal prosperasse e fosse uma família de bem tradicional.
Mas se homem deita com mulheres prostitutas ele não está querendo casar. Está querendo farra. Vagabundear por aí sendo feliz. Comportamento completamente aceitável, não é? Não pela Bíblia:
"Então, meu filho, por que você se deixaria extasiar por uma mulher devassa? Ou abraçaria o seio de uma mulher imoral? Os caminhos do homem estão diante dos olhos de Jeová; Ele examina todas as suas veredas."
Mas homem não casa com outro homem. Porque ele casaria? Ele não teria direito a dote nenhum. Natica de ovelha, gado, gato, cachorro, galinha. Nada. Nem um torrãozinho de açúcar seria lhe oferecido.
Se homem SE deita com outro homem, e não existe dote para o casamento, o que ele está querendo então? Ora, não é óbvio? Está querendo farra. Vagabundear por aí sendo feliz. Isso é sodomia.
Até aqui, em essência, parece tudo igual aos tempos de hoje, não é?
Não.
Pois entre o tempo em que a bíblia foi escrita e o século que vivemos, aconteceu 1 coisa incrível na humanidade.
Os movimentos literários.
Um deles foi o chamado Trovadorismo. Onde bardos escreviam e cantavam canções e cantigas para suas amadas impossíveis. Impossíveis porque elas tinham um negócio a fazer. Um casamento com algum senhor que mal conheciam. As amadas não ficavam imunes, por ora rezando que o seu poeta pobre fosse embaixo da sua sacada lhe dar um boa noite antes que ela tivesse que se mudar para terras distantes. Histórias de amor não correspondido, tragédias envolvendo mortes do amado/da amada entraram na memória popular.
E a partir deles, diversos movimentos literários se seguiram e por mais que a Arte seja desmerecida atualmente por uma parte da sociedade, foram as artes que mudaram o curso da humanidade para sempre, pois com histórias como Tristão e Isolda e Romeu e Julieta e muitas outras, criou-se um sentimento novo no povo. Principalmente no povo humilde que não havia terras, gado ou açúcar para oferecer para ganhar a mão de sua amada.
Era o amor.
Ah, o amor. O amor "Que se mesmo pudesse falar a língua dos anjos e dos santos, sem amor, nada seria."
Amor que por muitos séculos, elitistas e nobres menosprezavam com força maior do que um touro. Que a própria Igreja Católica dizia não ser reconhecido por Deus, pois para casar, tem que dar dote! Não amor. Amor não paga contas. Não paga os vassalos. Amor é para os pobre que dependem do estado!
Inclusive, a Igreja só autorizou celebrar casamentos por amor a partir do século XVII. E só foi banir casamentos por 'contrato' um século mais tarde.
Esses séculos do meio que vieram entre a bíblia e o nosso, fez com que as relações amorosas heterossexuais fossem diferentes. Completamente Diferentes.
E se as relações heterossexuais não são as mesmas da bíblia de 5 mil anos atrás, as homossexuais muito menos, já que o relacionamento entre homens passou a incorporar os mesmo ideias de amor de uma relação heterossexual.
Então, da próxima vez que alguem chegar e disser que "Homem não pode ser viado, tá na Bíblia!"
Diga que "Não se pode trazer os textos da bíblia de 5000 anos atrás e colocá-los como pertinentes hoje em dia porque são contextos diferentes." (Dificilmente, alguém irá discordar disso.) Mas se continuarem insistindo, diga que "Ta na Bíblia que você também não pode sair fornicando por ai com outras mulheres se não a sua esposa!"
Não fará efeito algum.
Mas um dia, talvez, numa conversa de bar que você e seus amigos estejam muito bêbado e afim de filosofar, você pode dizer que se grande parte da sociedades hoje em dia não se casa mais por torrões de açúcar ou sacos de sal, não tem porque achar que dois homens se relacionando hoje, principalmente como namorados, é a mesma coisa de 5000 anos atrás.
O ato de se deitar é o mesmo. A razão é diferente. E essa razão faz toda a diferença do mundo.
TL/DR1: A bíblia diz que homens não deve se deitar com outros homens para prevenir que homens procurem por homens prostitutos, já que se relacionar com homens não traria beneficio algum. Homem com homem não dá dote no casamento. E o casamento era negócio que homens usavam para ficar ricos e poderosos.
TL/DR2: Os movimentos artísticos, principalmente os literários, mudaram a percepção geral das relações entre homem e mulher. O amor passou a fazer parte da vida da sociedade, quebrando regras e tradições, permitindo que casamentos por amor pudessem ser realizados. As relações homossexuais de hoje também espelham a mesma percepção de afeição. Então as relações homossexuais não são as mesmas tratadas na bíblia porque homem que se deitava com homem naquela época o fazia porque era sodomita e não porque nutriam sentimentos um pelo outro.
Agora pode voltar a sua cervejinha nesta sexta-feira 13.
Esse foi o meu primeiro post neste subreddit. Um texto imenso desse, podem dar downvote a vontade, =).
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2019.08.29 02:17 ederalk 50 motivos de porque a homossexualidade não é pecado

Um dos temas mais atuais e controversos, daqueles que mais instiga de ódio a defesa, na política, na moral, e na religião, que transpõe fronteiras terrenas e temporais: a homoafetividade! É sabido que teologia cristã atual põe a homossexualidade no pedestal mais alto das mais "abomináveis práticas humanas". Respeitosamente, a instigação aqui esmiuçada busca um ceticismo ao fundamentalisto religioso atual e questiona: e se não for pecado? E se nunca foi um pecado? Mais um berrante erro histórico da Igreja? Boa leitura.
50 motivos de porque a homossexualidade não é pecado
  1. Se nascer homossexual é pecado, logo, ele já está condenado ao inferno, pois é impossível deixar de ser homossexual, pois ele o É. Logo, Deus fez acepção de pessoas. Eles nem tiveram a chance de serem salvos. Porém, Deus não faz acepção de pessoas (Atos 10:34)
  2. Se apenas a prática homossexual é pecado, mas não o desejo, logo Deus colocou o desejo nesses homens para os tentarem a pecar o tempo todo, mas afirmar isso é antibiblico, pois Deus não tenta ninguém (Tiago 1:12-20);
  3. Se o desejo não foi posto por Deus, pode ter vindo de Satanás, logo ele tem o poder sobre a libido humana, assim ele tem poder de fazer qualquer hétero virar gay, ou um gay virar hétero, outra coisa impossível. Ele já teria o feito a todos os homens;
  4. Se a homossexualidade é adquirida por comportamento, logo, é aprendida. Mas sabemos que: 1) gays nascem de casais héteros; 2) muitos sociedades desencorajam e perseguem a homossexualidade, mas isso não impede que ela continue existindo nelas; 3) todas sociedades em todas as épocas, das civilizações europeias e asiáticas as tribos indígenas e polinésias foi observado a presença da homossexualidade; 4) animais também, naturalmente, podem ser homossexuais, em mais 1500 espécies relatadas (Ec 3:19); 5) os héteros não afirmam que adquiriram a sua libido por comportamento, porque seria diferente com o homossexual?
  5. De forma direta e literal, não há nenhuma condenação as lésbicas na Bíblia; logo, o desejo lésbico seria natural, da criação humana. Se assim for, o desejo pelo sexo oposto seria inato, tanto em homens como mulheres, chegando a mesma conclusão que Deus estaria tentando apenas aos homens gays entre todas as sexualidades, algo antibiblico; a Bíblia também não explica a complexidade do bissexualismo em todas em suas nuances: um bissexual poderia se casar com uma mulher?
  6. Deus, de fato nunca muda, mas pode mudar o homem: Gênesis 6 nos relata o mundo antes do Dilúvio: havia gigantes na Terra, anjos faziam sexo com as mulheres e os homens viviam centenas e centenas de anos. Adão viveu 930 anos! Homens tinham filhos aos 187 anos nessa época (Gn 5:25)! No versículo 3, Deus, aparentemente, muda o homem para viver no máximo 120 anos, afim de evitar uma superpopulação mundial. (Algumas interpretações dizem que é 120 anos para acontecer o dilúvio). Mas o fato é que desde de Gênesis 11, a expectativa de vida humana se abrevia radicalmente. Ou seja, provavelmente, Deus mudou a anatomia humana: um corpo que vive 930 anos não é igual a um corpo que vive 100 anos; Deus precisaria alterar células, órgãos e tecidos! Por que Deus também não interferiria na libido humana, a fim de evitar um superpovoamento? Será que Jesus desencorajou a poligamia em Mateus 19:4-5, que era tão comum no Antigo Testamento (Gn 4:19) também preocupado com o crescimento da população humana?;
  7. É comum dizer que Jesus esteve em silêncio acerca da homoafetividade, o que não aconteceu: Mateus 19 é um diálogo em que Cristo trata acerca do casamento. Em Mateus 19:11, Jesus afirma que nem todos os homens tem a condição de seguir a ordenança do casamento heterossexual, dada por Deus em Gênesis; o único pré-requisito possível para tal condição seria ter atração por mulheres: se o homem a tiver, case, para não cair em tentação (1 Co 7:1-2; 7:26-27); se não a tiver ou a perder durante a vida, está livre da ordenança do casamento com uma mulher; se tiver, mas se desejar ser celibatário pelo Reino de Deus, é uma escolha pessoal (Mateus 19:12); logo, nascer homossexual é uma condição inata, não algo fruto do pecado ou um desvio comportamental;
  8. Pode-se argumentar contra afirmando que Jesus utilizou a palavra eunuco nesse trecho de forma literal – como se‘’eunucos’’ se referisse apenas aos homens castrados; porém, dois fatos derrubam tal argumento: 1) Jesus fala acerca de três tipos de “eunucos”, revelando que estamos diante de um termo bastante amplo para a época; 2) Jesus usou “eunuco” de forma figurada para se referir aos celibatários no “terceiro eunuco”; se Jesus utilizou uma figura de linguagem num trecho da sentença, pode-se ter utilizado em outra, como no trecho “eunucos de nascença”;
  9. Também há uma contradição em afirmar que alguém nasce ‘’castrado’’, ‘’eunuco’’ de forma literal. Oras, é necessário possuir suas genitálias de antemão para serem removidas e assim, se tornar um castrado; é impossível alguém nascer castrado! Como e por quê se castraria um feto no ventre da mãe? Já ser um “eunuco” posteriormente, ao remover seus testículos, sem a produção de testosterona, o homem perde a libido, o impedido de se casar, encaixando no critério do segundo eunuco;
  10. Pressupondo que os ‘’eunucos de nascença’’ são apenas os deficientes congênitos, e se a Bíblia liberasse qualquer deficiente de nascença com atração por mulher da ordenança do casamento, logo, eles teriam obrigatoriamente a serem castos a vida toda para não cair em tentação, pois, se um deficiente tem atração sexual por mulher, eles também ficariam com várias mulheres ao longo da vida fora de um casamento para sanar sua libido, pois se for com apenas uma mulher, melhor que se case com ela também! Não há lógica. Outra dificuldade seria definir o que é um ‘’deficiente de nascença’’: um anão seria? Ou um hermafrodita? Isso abriria brechas para proibir o casamento de muitas pessoas; cegueira ou infertilidade, por exemplo, impedem homens de se atrair ou de querer se casar com uma mulher?
  11. Se considerarmos apenas os assexuados como os ''eunucos de nascença'', esse texto afirmaria que a libido humana ou a sua ausência é uma condição dada apenas por Deus aos homens desde o seu nascimento. Logo, se for pecado ser gay, ele está o tentando, algo antibiblico;
  12. Se afirmar que apenas a assexualidade é uma condição dada por Deus, logo, a própria libido seria uma escolha, incluindo a libido do heterossexual, algo também impossível; como Adão teria aprendido a se atrair por Eva?
  13. Em Romanos, carta escrita por Paulo, há o trecho mais usado como “antigay” na Bíblia; é importante lembrar que o próprio apóstolo Pedro afirmou que as epístolas de Paulo às vezes tinham ‘’trechos difíceis de entender’’, em que ‘’ indoutos e inconstantes torcem” (2 Pedro 3:16); se eram trechos difíceis de se entender na época para um apóstolo, imagine 2.000 anos depois para nós! Romanos 1:26-27 pode ser um desses trechos a que Pedro se referiu;
  14. Se usarmos Romanos 1:26 para condenar as lésbicas, foi usada uma figura de linguagem para tal, já que não sabemos ao certo, que ''uso natural'' é esse que elas mudaram; isso não é explícito;
  15. Se Paulo se referiu as lésbicas nesse trecho, de forma figurativa, ou seja, fez uso de figuras de linguagem para se referir as mulheres, logo, "semelhantemente", ele também pode ter usado para se referir aos homens; logo, homens nesse trecho necessariamente não precisam se referiam a homossexuais, ficando vago sua definição, sendo necessário avaliar o contexto;
  16. O tema do contexto de Romanos 1:23-28 é a idolatria praticada pelos romanos, em que nos cultos pagãos, é sabido que homens heterossexuais praticavam sexo homogenitais com outros homens nos ritos orgásticos; a idolatria é um dos temas centrais do capítulo e isso fica evidente pelos versículos 23 a 25. O Versículo 26 inicia-se com a expressão “por isso”, ou seja, o que está explícito a partir desse ponto é o resultado das ações humanas descritas nos versos anteriores;
  17. Em Levítico 18:22, outro versículo largamente usado como antigay, diz que homem deitar com homem, como se fosse mulher é uma abominação; a palavra abominação vem do hebraico toevah ou do grego bdelygma, ambos significam "impureza" ou "ofensa ritual", logo, o tema de Levitico 18 também é idolatria, assim como Romanos 1;
  18. Abominação, no antigo testamento, é largamente usado para se referir a práticas de idolatria, como consultas a necromantes, feiticeiros, adivinhadores e prognosticadores (Deuteronômio 18.10-12); o sacrifício de animais defeituosos (Deuteronômio 17.1); adorar imagens (Deuteronômio 7.25); a queima de incensos (Jeremias 44:4-6); a prostituição cultual, sacrifício de crianças e fazer imagens de ouro e prata (Ezequiel 16); deve-se sempre enfatizar que a Bíblia não foi escrita em nosso idioma, e a etimologia das palavras podem mudar ao longo da história;
  19. Levítico fala de sacrifício de crianças a deus Moloque um versículo anterior ao 22 (Lev 18:21), logo, reforça que o tema do capítulo 18 de Levitico é a idolatria e práticas pagãs;
  20. Levítico 18:3 proíbe seguir os ‘’estatutos do Egito e dos cananeus’’, novamente comprovando que o tema central aqui é idolatria; em Ezequiel 18:9 o Senhor diz que quem andar nos ‘’meus estatutos, e guardar os meus juízos, e proceder segundo a verdade, o tal justo certamente viverá’’, distinguindo a palavra estatuto; mais adiante, no verso 12, diz ‘’levantar os seus olhos para os ídolos, e cometer abominação’’, reforçando o significado principal de abominação na Bíblia para coisas idólatras;
  21. A presença na frase da expressão ‘’como uma mulher’’ em Lev. 18:22 pode ser interpretado como homens que abandonam sua condição natural, hétero, para deitar-se com outros homens, pela imposição do culto religioso; gays não se deitam com homens como se fossem mulheres;
  22. Faz sentido nesses versículos se referirem a homens heterossexuais praticando atos homogenitais entre si, pois ao se referirem a rituais pagãos, é certo que havia muitos homens héteros que participavam desses cultos, já que eles eram públicos; assim como as mulheres que sacrificavam seus filhos aos deuses, certamente, ambas práticas eram sacrifícios extremamente vergonhosos e nada agradáveis para agradar aos seus deuses; se a maioria dos homens dessas sociedades pagãs eram gays, como repunham a população sem novos nascituros? É sabido que os egípcios chegava a milhões de súditos (1 a 8 milhões de pessoas);
  23. Se levarmos esse versículo de Levítico literalmente ao pé da letra, logo, apenas ‘’deitar’’ com outro homem é pecado. Beijar, desejar, namorar, se afeiçoar, pegar na mão, ou até o sexo em pé, sem estar deitado, estaria liberado aos gays, sem configurar pecados?;;
  24. Se levarmos no sentido figurado, logo, pode não se tratar de relações homoafetivas tradicionais nesses versos; "homem" pode ser referir a homens héteros unicamente, não aos gays, já que até os dias de hoje é comum confundir sexualidade com gênero, podendo certamente acontecer o mesmo na época; em resumo, gays poderiam não ser considerados homens na época como acontece muito hoje;
  25. Levítico 20 trata acerca das penas de diversos crimes anteriormente ditos nos capítulos anteriores; está escrito no verso 18 que a acaso um homem se deitar com outro homem como com mulher, ''certamente morrerão''. Há uma ambiguidade aqui: é uma consequência do ato ou uma ordem de execução? Se for uma consequência, sabemos que isso não acontece, senão estaria acontecendo um genocídio gay nesse momento; nesse versículo também usa-se a palavra ‘’abominação’’, que como se sabe, significa na Bíblia ‘’impureza ritual’’;
  26. Em Levítico 20, do versículo 2 ao 5 é novamente sobre a sacrifícios de crianças a Moloque, o 6 sobre adivinhadores e encantadores, 8 e 22 fala sobre ‘’estatutos’’, o 23 exorta a não andar nos costumes de nações pagãs e o 27 sobre necromancia ou espírito de adivinhação; ou seja, aqui se confirma as práticas idólatras do capítulo 18;
  27. 1 Coríntios 6:9:20, outra passagem comumente dita ser ''anti-gay'', se usa duas palavras intraduzíveis para nosso tempo: malakoi e arsenokoitai, e ao longo da história, foram traduzidas de muitas maneiras diferentes;
  28. Paulo utilizou essas duas palavras numa mesma lista de pecados, de forma seguida; que sentido teria ele de repetir o mesmo suposto pecado duas vezes seguidas, na mesma lista? As cartas Paulinas não eram escritas de forma coloquial ou informal, mas bastantes formais e escritas várias e várias cópias (Romanos 16:22), revelando se tratar de textos oficiais e bastante difundidas;
  29. Malakoi já foi traduzido como: "depravados", "pervertidos", "efeminados", "efebos", "meninos prostitutos", "masturbadores", "pusilânime", o que já torna a palavra intraduzível de forma fiel atualmente, por se tratar de traduções bastante diferentes, revelando a dificuldade de entender seu real significado;
  30. Efeminado, uma tradução mais comum atualmente para malakoi, no dicionário de línguas portuguesa de Cândido de Figueiredo, de 1913, significa ''ser mulherengo'', algo bem diferente de ser gay;
  31. Efeminado é um termo que atualmente é mais usado para indivíduos com trejeitos femininos; porém, um afeminado não necessariamente é gay; é sabido que existem héteros afeminados, assim como gays másculos; o másculo iriam ser salvo, mas héteros afeminados não? Outra dificuldade é que ser afeminado ou masculino muda constantemente de época para época: homens aristocratas, por exemplo, no século XVIII, para afirmar sua masculinidade, usavam salto alto, maquiagem e perucas;
  32. Arsenokoitai foi uma palavra inventada por Paulo, usando neologismo, e até hoje não se sabe ao certo o que ele queria dizer com arsenokoitai; essa palavra só foi usada duas vezes em toda história da literatura, dificultando ainda mais seu entendimento; a tradução mais comum atualmente é sodomita, palavra extremante alterada em seu significado ao longo da história;
  33. A palavra “sodomita”, por séculos significava perverso; porém, Tomás de Aquino, por volta do século XII, na sua obra Suma teológica, reformulou a palavra “sodomia” para abranger as ‘’imoralidades sexuais’’, que abarcavam uma enorme quantidade práticas, que ia da bestialidade ao sexo anal;
  34. Em nenhum momento, a Bíblia afirma que Sodoma e Gomorra caíram por causa da homossexualidade; ao contrário, o próprio Jesus, em Mateus 10:15, reforça que o principal pecado dos sodomitas foi a falta de hospitalidade; Deus afirmou que destruiria Sodoma somente se não achasse nenhum justo na cidade; apenas 10 justos já seriam suficientes para Deus poupar seus moradores (Genesis 18:32); se o pecado de Sodoma e Gomorra fosse a homossexualidad de seus moradores,, como a cidade poderia existir constantemente se não haviam nascimentos de relações heterossexuais?
  35. Somente algumas versões modernas da Bíblia, covardemente, começaram a traduzir como homossexual passivo e homossexual ativo as palavras”malakoi” e “arsenokotai”; porém, é fato que não existe a palavra homossexual na Bíblia, que não existe nenhuma palavra que seja usada para se referir a gay unicamente na Bíblia, exceto ‘’eunucos de nascença’’, proferida por Jesus;
  36. Jesus nos alertou intensamente acerca dos fariseus, mas também dos escribas, que escrevem e traduzem as Escrituras (Mateus 23);
  37. Jesus nunca poupou as palavras parar denunciar as transgressões do mundo: adultério, prostituição, matar, heresia, roubar, a falta de amor, a blasfêmia, mentir, não perdoar etc. Por que ele nunca condenou veementemente do ‘’pecado abominável e terrível” da homossexualidade?
  38. A Judéia, na época de Jesus, era parte do Império Romano, império em que a prática homossexual era extremamente comum e aceitável; ou seja, existia gays na época convivendo com Jesus; por que Jesus nunca “curou” algum?
  39. Como os 3 versículos ‘’anti-gays’’ da Bíblia, Romanos 1:26-27, Levítico 18:22 e I Coríntios 6:10, são, á luz da hermenêutica, refutados, ou no mínimo, duvidosos, fica claro que toda condição humana que, de nascença, impeça um homem de se atrair por uma mulher, está livre da ordenança do casamento segundo o próprio Cristo Jesus: homossexuais, transsexuais e assexuados.
  40. Paulo, ao falar sobre o casamento em 1 Coríntios 7, sobre a virgindade, as viúvas e os solteiros, ele não faz menção direta aos homossexuais; mas diz no verso 7: ‘’Porquanto gostaria que todos os homens estivessem na mesma condição em que eu vivo, contudo, cada ser humano tem seu próprio dom da parte de Deus; um de determinado modo, outro de forma diferente.’’, podendo ser uma interpretação de Paulo ao que Jesus disse em Mateus 19;
  41. Um termo importantíssimo para se referir a vida sexual humana na Bíblia é porneia, um termo grego traduzido principalmente de 3 formas diferentes na Bíblia: prostituição, fornicação e imoralidade sexual; os 3 termos são muitos diferentes entre si, logo, há confusão nas traduções; muitos argumentam que homossexualidade também entraria como ‘’imoralidade sexual’’, mas não há nada na Biblia dizendo ‘’homem se relacionar com homem é porneia’; e o termo porneia não aparece na carta aos Romanos;
  42. Jesus disse em Mateus 15:19: ‘’Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, porneia, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias. Logo, porneia não significaria adultério, senão, Jesus estaria falando a mesma coisa seguida duas vezes na mesma frase! E imoralidade sexual é um termo muito amplo que também abrangeria o adultério, logo, porneia não pode significar tal adultério;
  43. Atualmente, usa-se ‘’fornicação’’ para designar qualquer prática sexual fora do casamento, logo, também abrangeria o adultério; assim, porneia também não pode significar tal termo, considerando a frase de Jesus na época;
  44. Assim, a melhor tradução para porneia seria prostituição, que é a comercialização do sexo; e mesmo usando ‘’fornicação’’ como tradução de porneia, o seu melhor significado também seria a ‘prostituição’: ‘’Fornice’’ era o arco da porta sob a qual as prostitutas romanas se exibiam. Jesus viveu na Judeia na época que fazia parte do Império Romano. E é maior a chance dos evangelhos tenha sido escritos em grego.
  45. Antigas Bíblias referem ao 6º Mandamento como "Não Fornicar", coisa que depois foi alterada pelos reformadores conservadores para "Não Adulterar", que já tem outro significado. Isso reforça a confusão desses termos ao longo da história;
  46. Paulo usa porneia em 1Co 6.18. Mas basta ler o contexto, que se perceberá que ele fala acerca da prostituição especificamente: ‘’Não sabeis vós que os vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei, pois, os membros de Cristo, e os farei membros de uma meretriz (ou prostituta)? Não, por certo. Ou não sabeis que o que se ajunta com a meretriz, faz-se um corpo com ela? Porque serão, disse, dois numa só carne. (...) Fugi da porneia (...)’’; com essas conclusões, usar porneia como ”imoralidade sexual” pode apresentar como uma expressão ampla e controversa, suscetível a variadas interpretações ao longo do tempo; já utilizar “prostituição” torna o termo conciso;
  47. No Novo Testamento, há várias menções em que as leis do Antigo Testamento foram abolidas, pois Jesus já cumpriu todas elas em nosso lugar. (Hebreus 7:18-19; Atos 15:23-29; Gálatas 5:3; Filipenses 3:7-8); Jesus ao cumprir toda a lei por nós, ela foi passada (Mt 5:17-18). Logo, isso aboliria as leis de Levítico, acaso elas se referissem aos homossexuais; Atos 15 relata que a discussão acerca da validade do Antigo Testamento para os cristões acompanhou a Igreja desde o início: judeus convertidos contendiam-se com os gentios convertidos, dizendo que ‘’os circuncidados não serão salvos’’; a Igreja então fez o primeiro concílio de sua história e decidiu: ‘’Na verdade pareceu bem ao Espírito Santo e a nós, não vos impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias: Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne sufocada, e da prostituição, das quais coisas bem fazeis se vos guardardes. Bem vos vá. (Atos 15:28,29); logo, as únicas leis dadas pelo espírito santo e os apóstolos a igreja seriam não idolatrar e realizar sacrifícios e não se prostituir;
  48. Há pesquisas historiográficas confiáveis que afirma que a Igreja primitiva realizava casamentos entre homens. Esses estudos são principalmente do importante historiador John Boswell; essa mudança radical da igreja aconteceu bem posteriormente, quando a Igreja Católica Medieval passou a considerar o sexo apenas para procriação, condenando assim também a homoafetividade; padres católicos chegaram a ter a ideia do sexo como sujo e maligno; porém, em nenhum local da Bíblia afirma categoricamente que o sexo é apenas para procriação; Paulo chega a afirmar que os casais não se recusem um ao outro, exceto por consenso mútuo no período de oração ou jejum, para não cairem em tentação (1 Co. 7:5); ou seja, quanto ao sexo, a Bíblia é enfática em condenar apenas o adultério e a prostituição;
  49. Quem afirma que sexo é somente para procriação usa justamente as passagens com a expressão “imoralidade sexual”, que como já foi dita, provém de uma palavra que significa prostituição, unicamente. A Bíblia não explícita o que é imoral no sexo consensual e amoroso; outra dificuldade em afirmar que o sexo é apenas para procriação seria a presença da forte excitação sexual no ato: se é apenas para ter filhos, por que Deus colocaria o prazer no sexo? A presença da clitóris na mulher também evidencia que o sexo não é somente para procriação, já que esse é o único órgão cuja função é unicamente dá prazer a mulher. Sua ausência não impede em nada a reprodução humana. Deus novamente estaria tentando o homem e a mulher a pecarem, ao dar prazer ao ato sexual, e claro, como dito, Deus não tenta o homem!
  50. A Igreja já perseguiu muitos grupos humanos na história usando versículos isolados e fora de contexto: curandeiras, negros, cientistas, ciganos, chegando ao ponto de perseguir e condenar a morte na fogueira até mesmo os canhotos, somente porque está escrito na Bíblia que a mão direita é divina! Nada impede que a interpretação atual acerca da homossexualidade também esteja extremamente equivocada e distorcida.
Por favor, se estiver algum motivo errado, refute-o, dizendo o número do motivo e contra-argumente, usando sempre a PALAVRA DE DEUS e fatos históricos, não a sua opinião ou a opinião do seu líder. Use textos coerentes da Bíblia e nunca fora do seu contexto. Nada de versículos isolados. Use a hermenêutica, a forma correta de ler a Bíblia. Não adianta me atacar, só prova que você não tem argumento suficiente, mas ataque o argumento! Não adianta só dizer que é pecado; prove, usando a BÍBLIA!
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2019.07.05 20:24 victor271828459045 A homossexualidade latente na relações "heterossexuais".

Hoje, após um esclarecedora ejaculação, percebi como o ato em seu todo é de caráter homossexual.
Ora, alisar uma piroca em ritmo acelerado é inquestionavelmente uma coisa gay, não? Claro que sim. Passei a analisar as formas de interação sexual entre homem e mulher. Todas são homossexuais.
Um homem que toque seu pênis durante uma masturbação animalesca: gay;
Um homem que toque o pênis de outrem: mais ainda;
Um homem que come exclusivamente vaginas, cujas entradas outras jebas possivelmente passaram e deixaram seus laivos, que a presente entrante e sainte jeba toca num ato solene e lindo os restos seminais de outro homem: gayzaço;
Um homem que tire prazer ao deslacrar uma singela e graciosa buceta virgem: veja bem que, nesses casos particulares, apenas a primeira encaixada é macha mesmo, todas as outras decorrentes estarão inexoravelmente se atritando ao próprio pré-toque peniano, o que também é gay;
Um homem que encontre seus estímulos máximos no botão de rosa negro de uma fêmea da mesma espécie: é extremamente fácil encontrar a semelhança fálica entre um viçoso pedaço de bosta e um aparato reprodutivo masculino. Desconsiderando casos de extrema torpeza, todo mulher caga antes de oferecer seu abraço interno mais apertado, e o que é cagar senão um ato sexual, no entanto inverso no primeiro momento, isto é, de fora pra dentro. Portanto, o prazer proveniente da expulsão fecal feminina configura o prazer posterior do coito como homossexual;
Um homem que sente a melodia cálida de uma boca flautista especialista em flauta salgada: obviamente, essa boca terá beijado outras bocas ou outros homens, e agora seu pau, se isso não é viadagem eu não sei o que é;
Um homem que aprecie a degustação do melácido de uma receptiva xota: colocar a boca num lugar onde outras bocas e pirocas pincelaram suas carnes flácida e rijas e melequentas é bastante gay.
Não vou pormenorizar os outros contatos, os apenas físicos, como andar de mãos dadas, abraçar, beijar o rosto, acariciar. Mas todos são gays. Não vou entrar em detalhes.
Vocês devem estar pensando, ok, mas essas relações são entre homens e mulheres incompletas, cadê as verdadeiras, as que foram talhadas à imagem divina do espécime perfeito, as da cauda invertida, as de grelo evoluído. Infelizmente, não tenho o conhecimento necessário nessa área e, para que eu não fale bobeira, dedicar-me-ei ao entendimento desses auroques mansos da glande púrpura e, só então, farei essa análise.
Obrigado pela atenção, Jecas.
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2019.02.12 17:22 capytim Com medo de ser quem sou.

Eu nasci e fui criado na igreja. Meu pai é pastor, então tava sempre indo. Meus pais se separaram quando tinha 6-7 anos, desde então eu sempre fiquei me afastando e voltando para igreja, mas eu nunca deixei de acreditar em Deus.
Depois que comecei a fazer um pré-vestibular e tive aulas de filosofia de qualidade e depois que comecei a faculdade, comecei a pensar de forma mais crítica em relação a tudo que já acreditei. Isso inclui a fé. Tem coisas que leio na Bíblia, por exemplo, e faz mais sentido pra mim ser um relato de uma era bem passada do que a palavra de Deus mesmo. Faz todo sentido do mundo algo como assassinato ou roubo ser pecado, mas não faz sentido algum algo como fornicação e relações homossexuais serem. Porém sinto que não posso conversar muito sobre isso com irmãos da igreja, pois fico parecendo um herege. As poucas pessoas que conversei a respeito me disseram que é preciso ter fé, mas como ter fé quando preciso de sentido e lógica?
A hipocrisia que vejo (as vezes até em mim) está me desgastando, e sempre que falo algo a respeito, tudo que todo mundo tem pra dizer é que se eu olhar para os humanos da igreja, eu realmente só vou me decepcionar. Mas eles são literalmente os únicos seres que posso olhar. Feitos a imagem do Criador.
Eu tenho 24 anos, sou virgem, e isso mexe comigo por que por duas décadas eu acreditei que tava fazendo o que era certo, mas agora sinto que to me privando de algo bom não por que é o que Deus quer pra mim, mas por causa de um povo de milênios atrás que valorizava virgindade pois mulheres eram mercadorias e a virgindade era o selo de qualidade.
E eu já senti o amor de Deus. Hoje em dia eu já não sei se eu realmente senti algo que estava lá, ou se foi uma produção da minha cabeça. Estou preso numa dissonância cognitiva há anos. Sinto que algo que já me confortou, hoje me aperta como correntes. E não sei o que fazer.
Sinto que quem eu sou é alguém que quer se libertar de tudo isso, mas ao mesmo tempo isso é algo que me assusta. Não tinha onde mais falar, então estou aqui falando com vocês. Obrigado pela atenção.
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2017.07.21 02:48 juniordoce Jean Wyllys sobre o Irã

NÃO AO FUNDAMENTALISMO!
A vinda para o Brasil de um dos líderes religiosos mais influentes do Irã, o aiatolá Mohsen Araki, vem causando muita polêmica, e não é para menos. Ele é uma figura chave da ditadura iraniana, um regime de terror que persegue e executa os homossexuais (lá, graças ao discurso de ódio desses aiatolás fanáticos e homofóbicos, ser gay é um crime penado com a morte), oprime as mulheres, persegue os opositores, cerceia as liberdades de expressão e pensamento, apoia o terrorismo internacional e tem relações com organizações assassinas como o Hamas e o Hezbollah. Mohsen já fez também declarações absurdas e antissemitas pregando o ódio contra os judeus e caracterizando o Estado de Israel como “um câncer que deveria ser extirpado do Oriente Médio”. Araki representa um tipo de fundamentalismo religioso violento e opressor que não existe apenas no islamismo (há fundamentalistas na igreja católica, na religião judaica, no evangelismo neopentecostal que prega o ódio contra LGBTs e adeptos do Candomblé, e também em outras religiões).
Combater o fundamentalismo deveria ser visto como uma necessidade pelos próprios adeptos de cada uma dessas religiões que não concordam com os discursos de ódio, que provavelmente sejam a grande maioria. Líderes como os aiatolás da ditadura iraniana fazem muito dano aos próprios muçulmanos! Mas, parece piada: Araki foi convidado para ser palestrante em um evento em São Paulo no dia 29 desse mês, com o título: “Os muçulmanos e o enfrentamento ao terrorismo radical”. Ele, que é um dos mais radicais apoiadores do terrorismo e faz parte de um regime totalitário que prega a destruição de todo um povo e persegue as minorias. É absurdo!
Lamento que nosso país receba um personagem tão nocivo. Não podemos aceitar o fundamentalismo e o discurso de ódio como algo normal: eles já levaram a humanidade às piores tragédias da sua história.
Fonte.
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2017.06.27 22:03 spooky_matt Perspectivas: a situação dos homossexuais ao redor do mundo

Há exatamente dois anos, o dia 26 de junho de 2015 foi marcado por mais um avanço dos direitos civis dos homossexuais dos Estados Unidos: o casamento entre pessoas do mesmo sexo fora legalizado em todo o país. A data coincidiu propositalmente com o aniversário de sessenta anos da emissão da Carta Universal dos Direitos Humanos, um importante aparato que ajudou a consolidar esse tema na agenda internacional.
Rapidamente, os meios de comunicação e as redes sociais foram tomados pela onda colorida de celebração. A onda de comemoração contagiou o mundo todo e não apenas a comunidade LGBT. A adesão foi generalizada: anônimos e celebridades. Quem não se lembra do dia em que o Facebook se tornou um arco-íris midiático?
No entanto, apesar do fervor que tomou conta da internet naquela semana, havia um pequeno grupo de ativistas que já levantavam a antítese, a inquietação: isso foi uma simples vitória de um país de "primeiro mundo". Há muito a ser feito. 72 países ainda criminalizam relações homossexuais. Desse nefasto grupo de países, nada menos que 13 preveem pena de morte para suspeitos de manter relações sexuais com pessoas do mesmo sexo.
Colocar as coisas em perspectiva é uma maneira interessante de analisar os fenômenos que nos cercam. No caso do movimento LGBT, estabelecer perspectivas é muito pertinente, tendo em vista ser um grupo tão heterogêneo. Na própria sigla é possível ver muita desigualdade dentro da diversidade: o L e o G são relativamente mais privilegiados; o B é frequentemente invisibilizado dentro da própria comunidade; e o T é indiscutivelmente o mais vulnerável.
Portanto, nesse mês tradicionalmente voltado ao orgulho LGBT, proponho a seguinte perspectiva: refletir sobre a situação dos gays na Chechênia em comparação com a situação dos gays no Brasil. A Chechênia é uma república autônoma da Rússia. Uma região predominantemente muçulmana presidida por um líder altamente conservador e homofóbico, Ramzan Kadyrov.
Para os gays chechenos, a homofobia nunca foi novidade. Os "homicídios de honra" ocorrem com uma tenebrosa frequência dentro de núcleos familiares. São crimes motivados pela moral, para evitar que os homossexuais "sujem" a honra da família. A novidade é que um jornal independente russo, o Novaya Gazeta, importante oposicionista ao governo russo, publicou uma reportagem que expôs ao mundo inteiro o aparato estatal que se desenvolveu para suprimir os gays da Chechênia. A reportagem estima que 100 homens foram emboscados e levados para uma espécie de campo de concentração. Além disso, afirma que houve, no mínimo, três execuções.
A notícia chocou a todos e levou ativistas do mundo todo a protestarem contra a homofobia de Estado perpetrada pelo governo checheno. As autoridades, por sua vez, abusando do cinismo, negaram as informações divulgadas na reportagem, afirmando que "não é possível prender ou repreender pessoas que simplesmente não existem na república". E acrescentaram: "E mesmo que essas pessoas existissem na Chechênia, a polícia não precisaria se preocupar com elas, já que seus próprios familiares cuidariam de enviá-los aonde nunca mais poderiam voltar".
Ser gay na Chechênia é, antes de tudo, submeter-se a uma sociedade estruturalmente homofóbica. É sofrer por não ser tolerado entre familiares e amigos. É ser perseguido pelo Estado que quer a todo custo eliminar a existência dos homossexuais. A intolerância chegou a tal ponto que muitos homossexuais se refugiam dali. Para que sobrevivam, é necessário que saiam da Rússia, uma vez que as autoridades chechenas têm, comprovadamente, a capacidade de persegui-los dentro de todo o país. Por isso, se faz emergencial que os países, sobretudo os limítrofes, abram suas portas a esses homens que tiveram seu direito de viver extirpado, unicamente por ser o que são.
Diante dessa estarrecedora condição, o que é ser gay no Brasil? Aqui não há uma política estatal descarada de perseguição às minorias, mas há deputado federal endeusado por proferir discurso de ódio contra LGBTs. Assassinatos de honra não ocorrem na mesma frequência com que ocorrem na Chechênia, porém é comum que homossexuais sintam, pelo menos uma vez na vida, a dor da rejeição de pessoas amadas - amigos e familiares - por ser algo que não escolheram ser. História de homossexuais que foram expulsos de casa não é difícil de ouvir. No Brasil, há Parada Gay, uma grande festança colorida que toma conta das ruas e manda uma mensagem à sociedade: nós existimos e sabemos nos divertir. O número de ativistas da causa LGBT cresce a cada dia, e, apesar de sofrerem retaliações nos ambientes mais conservadores, gozam de uma relativa liberdade de expressão.
Ainda que as disparidades de classe criem lapsos internos, os homossexuais brasileiros conquistaram direitos básicos, além de terem ganhado visibilidade. Os maiores desafios por aqui ainda são os valores sobre os quais a sociedade brasileira se estrutura e que continuam a nos descriminar injustamente. Apesar disso, não vivemos num regime descaradamente homofóbico, que sequestra e mata. E é por essa razão devemos acompanhar atentamente a situação dos gays da Chechênia, divulgar o quanto for preciso e lembrar ao mundo que há homossexuais sendo perseguidos e correndo risco de vida. No dia 26 de junho de 2015 houve tanto alarde pela vitória conquistada, então por que não fazer alarde pela situação dos gays da Chechênia?
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2016.11.14 23:36 ttlystr [Sério] Curiosidade Homossexual

Boas, sou um gajo já com vinte e muitos anos. Até hoje já tive a minha dose de namoradas, outros tantos casos de uma noite, e sempre me senti seguro da minha sexualidade.
Mas desde há um par de anos para cá, tenho tido alguma curiosidade quanto a relações homossexuais. É um bocado estranho de explicar, porque até hoje nunca me aconteceu olhar para um gajo e achá-lo atraente ( de uma maneira sexual, de resto acho que qualquer homem é capaz de dizer se outro é bem parecido ou não), ou ver-me a beijá-lo por exemplo. A ideia causa-me confusão e alguma "repulsa" ( palavra um bocado forte, mas não me sai outra agora ). Dito isto, já aconteceu ver porno gay, e já me passou pela cabeça a ideia de ter essa experiência. Não sei bem o que achar disto tudo, até porque continuo a sentir-me atraído por raparigas, mas algo em mim gostava de experiementar intimidade com outro homem.
 
Já mais alguém passou por algo assim ? Falem-me das vossas experiências.
submitted by ttlystr to portugal [link] [comments]


2015.10.12 22:50 Musgabeen Feminicídio: mais um capítulo do direito penal simbólico agora mesclado com o politicamente correto. X-post /r/direitosdoshomens.

http://www.ambito-juridico.com.bsite/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=15655
Artigo de de Eduardo Luiz Santos Cabette, Professor de Direito Penal, em que ele aponta de forma bem acutilante as inconsistências da "lei do Feminicídio" e faz uma critica ao vazamento do pensamento "Politicamente correto" no campo do Direito Penal. Sendo um artigo longo (embora interessante) destaquei algumas partes:
Nenhuma pessoa em sã consciência pode ser favorável ou sequer indiferente à prática de violência contra mulheres, pior ainda à prática de homicídio contra estas. Qualquer um que tenha uma mentalidade favorável ou indiferente a essas barbaridades somente pode ser classificado, sem peias, como alguma espécie de canalha ou psicopata. Essa conclusão não se altera se a vítima é um homem. A violência contra o ser humano (homem ou mulher), especialmente o homicídio, é inaceitável.
Este é o espírito da legislação sob comento, embora a “Teoria de Gênero” e seu aviltamento à natureza humana em matéria sexual já tenha sido muito bem denunciada por autores como Jorge Scala que sequer admitem a existência de uma “Teoria”, mas de uma pura e simples “Ideologia de Gênero” no seio da qual o que seria sociologia, história, direito, filosofia se transforma imediatamente em puro jogo de poder, ou seja, Política em seu sentido mais mesquinho, que é o de simples luta pelo Poder ao custo inclusive da verdade.
A grande questão que se impõe é: para que serve então o alardeado “Feminicídio”? E a resposta clara e evidente é: para nada! Após o advento do “Feminicídio” o que melhorará na vida das mulheres em risco de sofrerem violência ou mesmo serem assassinadas por seus algozes? Rigorosamente nada! O que era um crime qualificado continua sendo, a pena continua a mesma. Afora o fato já mais do que repetido pelos estudiosos do Direito de que a seara criminal não é a panaceia para todos os males, a criação de um novo tipo penal ou pior, a mudança do nome de uma conduta já prevista como crime, da mesma forma e com a mesma pena, não é e nunca será a solução para qualquer problema social ou conflitivo. Essa é base do Direito Penal Simbólico: fingir que não se sabe dessas constatações há tempos disseminadas pela melhor doutrina, pela ciência criminal. Fingir que não sabe o que na verdade sabe e seguir produzindo leis inúteis, mas que rendem para certas pessoas e perante determinados grupos dividendos políticos. Enquanto isso, mulheres e homens continuarão sendo mortos entre 50 mil e 70 mil homicídios/ ano no Brasil.
(T)udo isso não passa de mudar nomes, como se os nomes dados às coisas tivessem um poder mágico. Digo “abracadabra” e um coelho sai da cartola; digo “Feminicídio” e as mulheres ganham um halo protetor e não são mais vítimas de homicídio ou se o são todos os infratores são imediatamente presos e condenados a penas rigorosas. Antes, com o “nomen juris” de “motivo torpe” isso era impossível! O leitor poderá encontrar coisas similares na literatura fantástica brasileira (v.g. “Aventuras de Narizinho” de Monteiro Lobato) ou universal (“As mil e uma noites” de autor anônimo ou “Alice no País das Maravilhas” de Lewis Carroll).
Ocorre que a enxurrada de besteiras não para por aí. Segue o texto da “Justificação” da legislação em comento afirmando que a criação do milagroso “Feminicídio” será capaz de impedir o reconhecimento de que um homem que mata uma mulher por questões de relações amorosas cometeu “crime passional”. A coisa já degringola de início porque se é o “Feminicídio” que tem o poder oculto de ocasionar esse prodígio, então estaríamos diante de uma situação muito estranha. Vejamos: um homem mata sua namorada, por exemplo, porque a surpreende na cama com outro homem. Esse não é um “crime passional” porque existe o maravilhoso e miraculoso “Feminicídio” que tem o condão de anular as paixões humanas, digo (perdão pelo equívoco), as paixões humanas não, apenas as paixões dos homens (homens aqui no sentido estrito e não genérico de ser humano). Por outro lado, se uma mulher surpreende o namorado nas mesmas condições e comete o mesmo ato tresloucado, então será possível afirmar que foi um “crime passional”, já que nesse caso não se trata da aplicação da “palavra mágica” do “Feminicídio”! Perceba-se a que grau de insanidade se pode chegar pelas vias do politicamente correto mesclado com o Direito Penal Simbólico.
O fechamento, se dá com a afirmação de que o advento do “Feminicídio” irá obstar eventuais estratégias midiáticas ou defensivas de “desqualificação das vítimas mulheres “brutalmente assassinadas” com a injusta atribuição da responsabilidade do crime a elas próprias. Eis aí outra impossibilidade prática. Será que com a criação do miraculoso “Feminicídio” doravante não será mais possível alegar, por exemplo, que uma mulher atacou um homem e que este a matou em legítima defesa, não da honra, mas em legítima defesa própria devido a um ataque físico? Aliás, isso não pode acontecer realmente? Ou será que antes podia e agora, com o advento do “Feminicídio” não pode mais?
Agora já não lidamos com o ser humano que é humano e faz jus a esta consideração, a esta dignidade que lhe é inerente pelo simples fato de sua condição humana (masculina ou feminina). Não, agora há uma polarização entre homens e mulheres, vem a ideologia de gênero para dividir, para criar embate. E isso é uma verdadeira praga que tende a se alastrar com a criação aleatória de grupos conflitivos onde nada disso havia ou, se havia, dever-se-ia pugnar pela eliminação do conflito e da polarização que somente geram violência e falta de solidariedade e não por seu reforço. A continuar nessa senda logo teremos o geronticídio para a morte de idosos; o infanticídio para a morte de crianças (e aí teremos que alterar o “nomen juris” do tipo penal do artigo 123, CP); o adolescenticídio para a morte de adolescentes; o homossexualicídio para a morte de homossexuais, o negricídio para a morte de negros, o branquicídio para a morte de brancos, o pobrecídio para a morte de pobres, o plutocídio para a morte de ricos, a mediocídio para a morte de pessoas da classe média [18], o silvicolocídio para a morte de índios e assim por diante numa insanidade infinita.
Porém, quando escreve que essa violência sexual pode ser praticada “contra a vítima” (frise-se “a vítima”) “antes ou após a morte” (frise-se “após a morte”), penetramos no reino da absurdidade. Acontece que a violência sexual somente pode ser perpetrada contra “alguém”, ou seja, uma “pessoa”, uma “mulher” que para ser chamada de “alguém” ou “pessoa” tem necessariamente de estar viva. O cadáver, o morto, não é vítima de crime algum no ordenamento jurídico. Ele é coisa, objeto material, nunca sujeito passivo. Por isso é impossível praticar violência sexual contra “a vítima após a morte”! Nestes casos a prática sexual sobre o cadáver constitui crime de Vilipêndio a Cadáver (artigo 212, CP), tem o cadáver como “objeto material” e a morta já não é vítima, já não é pessoa no mundo jurídico, gramatical, filosófico e mesmo médico. O cadáver é “coisa”, “res” sobre a qual se pode atuar de forma realmente abjeta, mas não é vítima de coisa alguma. (...) Esse é um aprendizado de primeiro semestre de qualquer curso de Direito, mas o legislador brasileiro demonstra uma atecnia avassaladora e vergonhosa, mostrando-se incapaz de uma interdisciplinaridade muito simples e revelando, mesmo no campo penal, absoluto desconhecimento quanto ao que se possa entender por vítima ou sujeito passivo de crimes ou mero objeto material destes.
Estas parecem ser, ao menos inicialmente, as observações necessárias à presente alteração do Código Penal Brasileiro, a qual entra para o inglório rol das legislações penais simbólicas e inúteis (neste caso ainda com generosas pitadas do nauseante “politicamente correto” que marcou inclusive seus debates, mediante violência terrível contra até mesmo a língua portuguesa).
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2015.10.11 16:11 Musgabeen Feminicídio: mais um capítulo do direito penal simbólico agora mesclado com o politicamente correto

http://www.ambito-juridico.com.bsite/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=15655
Artigo de de Eduardo Luiz Santos Cabette, Professor de Direito Penal, em que ele aponta de forma bem acutilante as inconsistências da "lei do Feminicídio" e faz uma critica ao vazamento do pensamento "Politicamente correto" no campo da justiça. Sendo um artigo longo (embora interessante) destaquei algumas partes:
Nenhuma pessoa em sã consciência pode ser favorável ou sequer indiferente à prática de violência contra mulheres, pior ainda à prática de homicídio contra estas. Qualquer um que tenha uma mentalidade favorável ou indiferente a essas barbaridades somente pode ser classificado, sem peias, como alguma espécie de canalha ou psicopata. Essa conclusão não se altera se a vítima é um homem. A violência contra o ser humano (homem ou mulher), especialmente o homicídio, é inaceitável.
Este é o espírito da legislação sob comento, embora a “Teoria de Gênero” e seu aviltamento à natureza humana em matéria sexual já tenha sido muito bem denunciada por autores como Jorge Scala que sequer admitem a existência de uma “Teoria”, mas de uma pura e simples “Ideologia de Gênero” no seio da qual o que seria sociologia, história, direito, filosofia se transforma imediatamente em puro jogo de poder, ou seja, Política em seu sentido mais mesquinho, que é o de simples luta pelo Poder ao custo inclusive da verdade.
A grande questão que se impõe é: para que serve então o alardeado “Feminicídio”? E a resposta clara e evidente é: para nada! Após o advento do “Feminicídio” o que melhorará na vida das mulheres em risco de sofrerem violência ou mesmo serem assassinadas por seus algozes? Rigorosamente nada! O que era um crime qualificado continua sendo, a pena continua a mesma. Afora o fato já mais do que repetido pelos estudiosos do Direito de que a seara criminal não é a panaceia para todos os males, a criação de um novo tipo penal ou pior, a mudança do nome de uma conduta já prevista como crime, da mesma forma e com a mesma pena, não é e nunca será a solução para qualquer problema social ou conflitivo. Essa é base do Direito Penal Simbólico: fingir que não se sabe dessas constatações há tempos disseminadas pela melhor doutrina, pela ciência criminal. Fingir que não sabe o que na verdade sabe e seguir produzindo leis inúteis, mas que rendem para certas pessoas e perante determinados grupos dividendos políticos. Enquanto isso, mulheres e homens continuarão sendo mortos entre 50 mil e 70 mil homicídios/ ano no Brasil.
(T)udo isso não passa de mudar nomes, como se os nomes dados às coisas tivessem um poder mágico. Digo “abracadabra” e um coelho sai da cartola; digo “Feminicídio” e as mulheres ganham um halo protetor e não são mais vítimas de homicídio ou se o são todos os infratores são imediatamente presos e condenados a penas rigorosas. Antes, com o “nomen juris” de “motivo torpe” isso era impossível! O leitor poderá encontrar coisas similares na literatura fantástica brasileira (v.g. “Aventuras de Narizinho” de Monteiro Lobato) ou universal (“As mil e uma noites” de autor anônimo ou “Alice no País das Maravilhas” de Lewis Carroll).
Ocorre que a enxurrada de besteiras não para por aí. Segue o texto da “Justificação” da legislação em comento afirmando que a criação do milagroso “Feminicídio” será capaz de impedir o reconhecimento de que um homem que mata uma mulher por questões de relações amorosas cometeu “crime passional”. A coisa já degringola de início porque se é o “Feminicídio” que tem o poder oculto de ocasionar esse prodígio, então estaríamos diante de uma situação muito estranha. Vejamos: um homem mata sua namorada, por exemplo, porque a surpreende na cama com outro homem. Esse não é um “crime passional” porque existe o maravilhoso e miraculoso “Feminicídio” que tem o condão de anular as paixões humanas, digo (perdão pelo equívoco), as paixões humanas não, apenas as paixões dos homens (homens aqui no sentido estrito e não genérico de ser humano). Por outro lado, se uma mulher surpreende o namorado nas mesmas condições e comete o mesmo ato tresloucado, então será possível afirmar que foi um “crime passional”, já que nesse caso não se trata da aplicação da “palavra mágica” do “Feminicídio”! Perceba-se a que grau de insanidade se pode chegar pelas vias do politicamente correto mesclado com o Direito Penal Simbólico.
O fechamento, se dá com a afirmação de que o advento do “Feminicídio” irá obstar eventuais estratégias midiáticas ou defensivas de “desqualificação das vítimas mulheres “brutalmente assassinadas” com a injusta atribuição da responsabilidade do crime a elas próprias. Eis aí outra impossibilidade prática. Será que com a criação do miraculoso “Feminicídio” doravante não será mais possível alegar, por exemplo, que uma mulher atacou um homem e que este a matou em legítima defesa, não da honra, mas em legítima defesa própria devido a um ataque físico? Aliás, isso não pode acontecer realmente? Ou será que antes podia e agora, com o advento do “Feminicídio” não pode mais?
Agora já não lidamos com o ser humano que é humano e faz jus a esta consideração, a esta dignidade que lhe é inerente pelo simples fato de sua condição humana (masculina ou feminina). Não, agora há uma polarização entre homens e mulheres, vem a ideologia de gênero para dividir, para criar embate. E isso é uma verdadeira praga que tende a se alastrar com a criação aleatória de grupos conflitivos onde nada disso havia ou, se havia, dever-se-ia pugnar pela eliminação do conflito e da polarização que somente geram violência e falta de solidariedade e não por seu reforço. A continuar nessa senda logo teremos o geronticídio para a morte de idosos; o infanticídio para a morte de crianças (e aí teremos que alterar o “nomen juris” do tipo penal do artigo 123, CP); o adolescenticídio para a morte de adolescentes; o homossexualicídio para a morte de homossexuais, o negricídio para a morte de negros, o branquicídio para a morte de brancos, o pobrecídio para a morte de pobres, o plutocídio para a morte de ricos, a mediocídio para a morte de pessoas da classe média [18], o silvicolocídio para a morte de índios e assim por diante numa insanidade infinita.
Porém, quando escreve que essa violência sexual pode ser praticada “contra a vítima” (frise-se “a vítima”) “antes ou após a morte” (frise-se “após a morte”), penetramos no reino da absurdidade. Acontece que a violência sexual somente pode ser perpetrada contra “alguém”, ou seja, uma “pessoa”, uma “mulher” que para ser chamada de “alguém” ou “pessoa” tem necessariamente de estar viva. O cadáver, o morto, não é vítima de crime algum no ordenamento jurídico. Ele é coisa, objeto material, nunca sujeito passivo. Por isso é impossível praticar violência sexual contra “a vítima após a morte”! Nestes casos a prática sexual sobre o cadáver constitui crime de Vilipêndio a Cadáver (artigo 212, CP), tem o cadáver como “objeto material” e a morta já não é vítima, já não é pessoa no mundo jurídico, gramatical, filosófico e mesmo médico. O cadáver é “coisa”, “res” sobre a qual se pode atuar de forma realmente abjeta, mas não é vítima de coisa alguma. (...) Esse é um aprendizado de primeiro semestre de qualquer curso de Direito, mas o legislador brasileiro demonstra uma atecnia avassaladora e vergonhosa, mostrando-se incapaz de uma interdisciplinaridade muito simples e revelando, mesmo no campo penal, absoluto desconhecimento quanto ao que se possa entender por vítima ou sujeito passivo de crimes ou mero objeto material destes.
Estas parecem ser, ao menos inicialmente, as observações necessárias à presente alteração do Código Penal Brasileiro, a qual entra para o inglório rol das legislações penais simbólicas e inúteis (neste caso ainda com generosas pitadas do nauseante “politicamente correto” que marcou inclusive seus debates, mediante violência terrível contra até mesmo a língua portuguesa).
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